Nesse momento já estamos preparados para conhecer um pouco mais desse lindo e contraditório bairro que é a Ribeira. Sua beleza e um pouco dos seus problemas serão conhecidos a partir de agora .Vejamos antes , um pouco da sua dimensão geográfica:
"A área de Itapagipe está encravada na Bahia de Todos os Santos.Para a Geologia ,está na parte baixa da falha técnica que divide Salvador em Cidade Alta e Cidade Baixa. (OLIVEIRA,2008)
Imagem 2:Península imagem via satélite
Disponível em : GANTOIS,Eduardo.História de Salvador Cidade Alta e Baixa <http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2012/02/itapagipe-como-peninsula-vista-pelo.html>acesso em 25/10/2014 ás 16:36
Mistura de índios,negros e brancos.
Salvador era assim (2003) é uma obra que trás a tona algumas entrevistas com moradores de Salvador entre os bairros elencados na obra se encontra a Ribeira.Em uma entrevista com a moradora Therezinha Maria presidente da Associação dos Moradores de Itapagipe fala um pouco sobre a Ribeira :
Therezinha
conta que quando o Brasil foi descoberto Itapagipe era uma Taba indígena. Tomé
de Souza ,em 1549,pensou em fundar Salvador justamente em Itapagipe, deixando
de fazê-lo apenas por questões de segurança, o que o levou a optar pela parte
do local, dado que, na época, toda ameaça de invasão chegada pelo mar.
Fundada
no alto, pessoas abastadas vieram para a orla a fim de instalar currais e olarias,
a exemplo de Garcia d’Ávila que construiu olaria e curral na Penha. Não havendo
transportes para locomoção do pessoal entre cidade alta, onde residiam, e
cidade baixa, onde trabalhavam, os operários, escravos e outros trabalhadores optaram
por se fixarem na parte baixa. Pescadores preferiam o Porto, que ficou chamado
Porto dos Tanheiros,de que vulgo criou a corruptela Porto dos Estanheiros,a
população de Itapagipe foi-se constituindo ,inicialmente ,de índios,escravos e
trabalhadores em geral.(Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.41/42)
O nome Porto dos Estanheiros vem do nome Tainheiros que são pescadores de Tainha logo é o porto dos pescadores de Tainha.Como conta Luiz Eduardo(2006)pode também significar os barcos utilizados na pesca desse peixe.
VERANEIO
Segundo Therezinha Maria a população abastada que habitava a parte alta ,atraída pelo clima e beleza natural da orla ,iniciou o veraneio em Itapagipe,para onde vinham homens formalmente engravatados ,em veículos chamados gôndolas,ás quais as mulheres não tinham acesso.Aos poucos,o veraneio transformou-se em moradia fixa,o que resultou na construção das boas casas,que são edificações de 100 a 150 anos atrás,que ainda podemos ver em Itapagipe. (Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.42)
HIDROPORTO
Senhora Cecy Ramos Costa Bahia também moradora da Península conhece a história do hidroporto dos Tainheiros:
Começa na
década de 30. No dia 17 de junho de 1937 , foi publicado no diário Oficial um
edital de concorrência para a construção do hidroporto .O Ministério de Viação
e Obras Públicas exigia que todo o material empregado fosse de primeira
qualidade,e concedeu o prazo de 10 meses para a realização da obra,que foi
concluída em 1938.As instalações desse primeiro aeroporto
eram muito luxuosas.Tinham sala de espera ,sala de bagagem ,salas destinadas
aos serviços das agências e companhias aéreas e também autoridades
portuárias,além de um bem montado restaurante /bar.Foi construído uma ponte em
forma de Y para amerrisagem dos hidroaviões.Os hidroaviões amerrisavam na enseada,
na proximidade do Porto dos Mastros. Havia bolsas flutuantes e pontos para
embarque e desembarque de passageiros.Muitas personalidades nacionais da
política e das artes passara pelo hidroporto, como o presidente Getúlio Vargas
e sua esposa,dona Darci Vargas,e dos artistas Carlos Galhardo,Silvio Caldas e
Orlando Silva.Outro fato peculiar ligado ao
hidroporto foi narrado pela senhora Alair Short Bandeira de Melo, professora
primária serventuária da Justiça aposentada ,foi frequentadora do Aeroporto:Quando a guerra
terminou, um dos administradores do Aeroporto tinha participado, retornou e foi
recebido, ao lado dos companheiros, com grande festa lá mesmo no Aeroporto.Lembro-me de
que na época da guerra, faziam bombardeio simulado. Ligava-se uma sirene para
serem apagadas as luzes das casas. Aí, os aviões sobrevoavam jogando sacos de areia.
O choque desses sacos com a água produzia som de bomba. Parecia realmente um
bombardeio. (Instituto geográfico e histórico da
Bahia, 2001, p.72/73).
O MAR DE ITAPAGIPE
O MAR DE ITAPAGIPE
Senhor Jorge Gomes dos Santos técnico em usinagem ,comerciante de frutos do mar narra um pouco sobre como aprendeu a pescar essa narrativa é interessante por que conta um pouco sobre a pesca em Itapagipe:O siri é típico de Itapagipe ,não é comum em outras áreas.A pesca de fifó só pode ser feita duas vezes por mês ,nas fases de lua nova e lua cheia.É divertida e bonita.Outra pesca que já foi farta em Itapagipe é a guaricema,também chamada chumberga está desaparecendo .Deve ser feita no inverno .a guaricema vem até a proximidade da praia ,os barcos ficam subindo e descendo com o movimento das águas ,e conseguem uma boa quantidade.É um peixe saboroso ,também típico de Itapagipe ,ele desloca-se muito e gosta da bacia da península por causa das águas quase paradas .eles vêm até o cais da igreja da Penha ,de onde se consegue pescar alguns. (Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.67/68)Desafio ao leitores do blog a escreverem um pouco sobre a importância da Ribeira para constituição dessa metrópole cosmopolita que é Salvador.

