sábado, 6 de dezembro de 2014

Entrevistas

Moradora á 44 anos no Bairro.G.conta um pouco da história da Península!


Patrícia: - Como era a rua aqui antigamente?

G.: - A rua era toda de água e pontes não havia asfalto.Quando seus pais chegaram aqui e começaram a construir o terreno ,eu morava em um barraco mais no fundo dessa casa.Todo o material de construção da obra de sua mãe ficou em minha casa.Essa rua é tranquila você podia chegar de madrugada que ninguém mexia com você.

Patrícia: - Consegue se lembrar com era a segunda feira Gorda da Ribeira?

G: - Era o Primeiro Grito de Carnaval.Não passava carro aqui nessa rua.Todo mundo ia!Não é mais como era antes as festas: do Bonfim,da Boa Viagem.Dia desse acaba tudo!Hoje ninguém vai por que é arriscado de  tomar tiro. Você não pode ter um celular, andar bem vestido que nego toma.Eu aposto na mega sempre e vivo dizendo se ganhar um dia tem que andar simples senão já viu!

Patrícia:- A praia da Ribeira como era antes?
G: - Sempre foi bonita!Tinha barracas mas não tinha a bagunça de hoje.Eu nunca gostei muito de praia mas levava minhas filhas.

Patrícia: - E as mariscagem e a pesca como era antes?
G: - A vizinha aqui do lado F que já morreu mariscava muito.Tinha muito marisqueiro aqui,as pessoas sustentavam a família mariscando.O vizinho seu X. tem um barco e até hoje sai para pescar mais o filho.Hoje em dia soltam muita bomba e matam os peixes pequenos por isso também que não tanta pescador nem marisqueira.

OBS: As letras:  G,F,X são pseudônimos afim de manter o anonimato dos entrevistados.


Pescador e morador a 50 anos da Ribeira conta um pouco da história do bairro e da Rua.


Patrícia: - Como era a sua rua quando era pequeno?
S: - Cheguei aqui com 10 anos de idade.Quando cheguei aqui era tudo maré tinha uma ponte ali onde é T(mercadinho da rua).Agente soube através de seu Z. que havia um terreno aqui vazio.Viemos com sofá e toda a mudança.Como aqui tudo era maré agente pegava pó de sumo para entulhar a casa.Tinha uma pá enorme e o povo ficava doido para pegar o lixo para entulhar a casa.Agente achava ouro,arma um monte de coisa no lixo.
Não tinha ladrão o povo dormia de janela aberta.Só tinha ladrão de praia mesmo de roubar chinelo e blusa.
Dizem que aqui antigamente tinha visagem!Tinha um rapaz que de noite arrastava corrente.Era o finado Lú que ficava olhando a mulher do zoto. Quando descobriram quebraram ele no pau!

Patrícia:A praia da Ribeira como era antes?
S:Hoje a Ribeira é uma orla.Antes tinha barracas que eram tudo de lona e plástico.Era bom que comprava fiado do inicio ao fim das barracas.Pirão de aimpim,cervejinha...
A praia sempre foi limpa.

Patrícia: - E as mariscagem e a pesca como era antes?
S: A pescaria era de bomba.Criei meus filhos com pescaria de bomba.Eles não fecham fábrica de rede de naylon. Os peixes não se dão bem com rede de naylon por que queima o peixe.Eles veem a rede e somem.Os pescadores novato não sabe pescar de bomba tem que ir para o mar.Eles pescam na beira e mata os peixes pequenos.A pesca de bomba e predatória desse jeito.Hoje eu to aposentado 30 anos como pescador tem lá ,paguei meu INSS.Já peguei 700 quilos Xareu eu conto o povo pensa que é mentira,pescando com bomba.O corsário pegou 200 quilos Xareu.
A draga(máquina de uma empresa catarinense que aterrou boa parte da Península) quando passou por aqui para aterrar matou um monte de Tainha.Acabou com a mariscagem aqui.Os búzios que eu pegava para vender para fazer colar era eu quem me sustentava com a pesca pagava minhas roupas tudo meu.Tinha um tubo enorme aqui teve um homem que quase morre por causa dessa máquina.


Relacionando as entrevistas com o contexto 

É possivel percecer através das narrativas de moradores antigos alguns aspectos históricos importantes do bairro.A importância comercial da pesca,para a manutenção de familias e diversos moradores através da mariscagem e a relevancia cultural dessa prática.
Outro aspectos  das entrevistas é a mudança na estética do bairro o processo de aterramente influenciou não só nas paisagens do bairro mas tambem  na vida dos moradores.
Sendo assim a peninsula mostra todo o seu patrimônio cultural e histórico e sua influência para a constituição histórica de Salvador




quarta-feira, 12 de novembro de 2014




SEGUNDA-FEIRA GORDA DA RIBEIRA

         Segunda-feira gorda da Ribeira é um dos festejos que ainda acontecem na Ribeira. Apesar de hoje não ser, mas tão popularizada é ainda uma tradição para alguns moradores. Geraldo Costa Leal Conta um pouco da história dessa festividade:
          Manoel Querino esclareceu que "após o termino da Guerra do Paraguai,com duração de cinco anos,os que de lá voltaram,entregaram-se a uma série de diversões na capital e no interior .Foi então que Pero Luciano das Virgens ,ex cabo d’ esquadra do 41º Corpo de Voluntários da Pátria ,numa segunda imediata á festa do Bomfim dirigiu-se ao arrabalde de Itapagipe conduzindo  uma barraca e todos os acessórios militares que lhe serviam na campanha.No trajeto da cidade ao ponto de destino ,iam-se desenrolando diversas peripécias da guerra provocando gargalhadas ao observador.Chegando ao Largo do Papagaio armou barraca e rendeu graças ao Senhor do Bonfim por ter escapado com vida”.
         Posteriormente grupos itapagipanos ,moradores da Madragoa ,da rua do Céu,Massaranduba,Travesso,Caminho de Areia,Rua João do Boi e depois de toda península aderiu.

          Naquele dia as repartições públicas e comércio encerravam suas atividades ao meio-dia. Era uma corrida em direção á Ribeira. Os bondes circulavam superlotados ,passageiros nos estribos,em pé ,e eram muitos como acontecia em todos os locais da festa.(LEAL,2000 p.137)

sábado, 8 de novembro de 2014

REFERÊNCIAS


INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DA BAHIA. Salvador era Assim, 2001, Volume 2

LEAL. Geraldo da Costa. Pergunte ao seu avô:Histórias de Salvador cidade da Bahia.Instituto Geográfico e Histórico da Bahia.Salvador.1996


LEAL. Geraldo da Costa.Salvador do contos,cantos e encantos.Salvador:Gráfica Santa Helena:2000.

 MATA Alfredo. História da Bahia: Licenciatura em História. Salvador: Eduneb. 200p

MURTEIRA,André.Trad.FARIA,Dominique.Temas e Factos.Carreira da Índia(1500-1640) Disponível em:http://www.fcsh.unl.pt/cham/eve/content.php?printconceito=785 ás 19:25 18/10/2014

sábado, 25 de outubro de 2014

A história da Ribeira !


Nesse momento já estamos preparados para conhecer um pouco mais desse lindo e contraditório bairro que é a Ribeira. Sua beleza e um pouco dos seus problemas serão conhecidos a partir de agora .Vejamos antes , um pouco da sua dimensão geográfica:
"A área de Itapagipe está encravada na Bahia de Todos os Santos.Para a Geologia ,está na parte baixa da falha técnica que divide Salvador em Cidade Alta  e Cidade Baixa. (OLIVEIRA,2008) 

Imagem 2:Península imagem via satélite 
Disponível em : GANTOIS,Eduardo.História de Salvador Cidade Alta e Baixa   <http://salvadorhistoriacidadebaixa.blogspot.com.br/2012/02/itapagipe-como-peninsula-vista-pelo.html>acesso em 25/10/2014 ás 16:36

Mistura de índios,negros e brancos. 


Salvador era assim (2003) é uma obra que trás a tona algumas entrevistas com moradores de Salvador entre os bairros elencados na obra se encontra a Ribeira.Em uma entrevista com a moradora Therezinha Maria presidente da Associação dos Moradores de Itapagipe fala um pouco sobre a Ribeira :
           Therezinha conta que quando o Brasil foi descoberto Itapagipe era uma Taba indígena. Tomé de Souza ,em 1549,pensou em fundar Salvador justamente em Itapagipe, deixando de fazê-lo apenas por questões de segurança, o que o levou a optar pela parte do local, dado que, na época, toda ameaça de invasão chegada pelo mar.

Fundada no alto, pessoas abastadas vieram para a orla a fim de instalar currais e olarias, a exemplo de Garcia d’Ávila que construiu olaria e curral na Penha. Não havendo transportes para locomoção do pessoal entre cidade alta, onde residiam, e cidade baixa, onde trabalhavam, os operários, escravos e outros trabalhadores optaram por se fixarem na parte baixa. Pescadores preferiam o Porto, que ficou chamado Porto dos Tanheiros,de que vulgo criou a corruptela Porto dos Estanheiros,a população de Itapagipe foi-se constituindo ,inicialmente ,de índios,escravos e trabalhadores em geral.(Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.41/42)


O nome Porto dos Estanheiros vem do nome Tainheiros que são pescadores de Tainha logo é o porto dos pescadores de Tainha.Como conta Luiz Eduardo(2006)pode também significar os barcos utilizados na pesca desse peixe.


VERANEIO 

Segundo Therezinha  Maria a população abastada que habitava a parte alta ,atraída pelo clima e beleza natural da orla ,iniciou o veraneio em Itapagipe,para onde vinham homens formalmente engravatados ,em veículos chamados gôndolas,ás quais as mulheres não tinham acesso.Aos poucos,o veraneio transformou-se em moradia fixa,o que resultou na construção das boas casas,que são edificações de 100 a 150 anos atrás,que ainda podemos ver em Itapagipe. (Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.42)

HIDROPORTO

 Senhora Cecy Ramos Costa Bahia  também moradora da Península  conhece a história do hidroporto dos Tainheiros:


Começa na década de 30. No dia 17 de junho de 1937 , foi publicado no diário Oficial um edital de concorrência para a construção do hidroporto .O Ministério de Viação e Obras Públicas exigia que todo o material empregado fosse de primeira qualidade,e concedeu o prazo de 10 meses para a realização da obra,que foi concluída em 1938.As instalações desse primeiro aeroporto eram muito luxuosas.Tinham sala de espera ,sala de bagagem ,salas destinadas aos serviços das agências e companhias aéreas e também autoridades portuárias,além de um bem montado restaurante /bar.Foi construído uma ponte em forma de Y para amerrisagem dos hidroaviões.Os hidroaviões amerrisavam na enseada, na proximidade do Porto dos Mastros. Havia bolsas flutuantes e pontos para embarque e desembarque de passageiros.Muitas personalidades nacionais da política e das artes passara pelo hidroporto, como o presidente Getúlio Vargas e sua esposa,dona Darci Vargas,e dos artistas Carlos Galhardo,Silvio Caldas e Orlando Silva.Outro fato peculiar ligado ao hidroporto foi narrado pela senhora Alair Short Bandeira de Melo, professora primária serventuária da Justiça aposentada ,foi frequentadora do Aeroporto:Quando a guerra terminou, um dos administradores do Aeroporto tinha participado, retornou e foi recebido, ao lado dos companheiros, com grande festa lá mesmo no Aeroporto.Lembro-me de que na época da guerra, faziam bombardeio simulado. Ligava-se uma sirene para serem apagadas as luzes das casas. Aí, os aviões sobrevoavam jogando sacos de areia. O choque desses sacos com a água produzia som de bomba. Parecia realmente um bombardeio. (Instituto geográfico e histórico da Bahia, 2001, p.72/73).


O MAR DE ITAPAGIPE 
Senhor Jorge Gomes dos Santos técnico em usinagem ,comerciante de frutos do mar narra um pouco sobre como aprendeu a pescar essa narrativa é interessante por que conta  um pouco sobre a pesca em Itapagipe:O siri é típico de Itapagipe ,não é comum em outras áreas.A pesca de fifó só pode ser feita duas vezes por mês ,nas fases de lua nova e lua cheia.É divertida e bonita.Outra pesca que já foi farta em Itapagipe é a guaricema,também chamada chumberga está desaparecendo .Deve ser feita no inverno .a guaricema vem até a proximidade da praia ,os barcos ficam subindo e descendo com o movimento das águas ,e conseguem uma boa quantidade.É um peixe saboroso ,também típico  de Itapagipe ,ele desloca-se muito e gosta da bacia da península por causa das águas quase paradas .eles vêm até o cais da igreja da Penha ,de onde se consegue pescar alguns. (Instituto geográfico e histórico da Bahia,2001,p.67/68)
Desafio ao leitores do blog a escreverem um pouco sobre a importância da Ribeira para constituição dessa metrópole cosmopolita que é  Salvador. 


  




quinta-feira, 23 de outubro de 2014

CONTEXTO HISTÓRICO DE SALVADOR

Carreira da Índias foi notável para a  construção da história do Brasil,de Salvador e do  bairro da Ribeira ao qual sou moradora á 22 anos.Sendo assim se faz necessário compreender as nuances que envolveram a sua construção.Andre Murteira(2000) mestre em história ultramarina faz um descrição coerente sobre a carreira

Objetivo desse blog

Caro leitor ,este blog tem por objetivo refletir sobre a prática docente do ensino de história a partir de vivências relacionadas com a história de meu  bairro a Ribeira que está inserido na Península Itapagipana de Salvador.Partindo do principio de uma aprendizagem a partir de uma realidade concreta (LIBANEO,2012) deseja-se aqui resignificar as identidades dos moradores   através do despertar que a  história propõe para seu patrimônio cultural  logo então  avivar,aguçar,incitar,problematizar a  ideia de pertencimento  do espaço .A atividade faz parte do  componente curricular Referencial Teórico-metodológico de História no ensino fundamental do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia , ministrado pelo Professor Doutor em Educação pela Universidade Federal da Bahia Alfredo Eurico Rodrigues da Mata.


Imagem 1:Vista da Ribeira no final da tarde.
Disponível :Arquivo pessoal